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Título: Ininterruptos, choremos ruas dentro dos ossos
Autor: Delalves Costa

ISBN: 978-65-88865-09-5

Formato: 14 x 21
Páginas: 74
Gênero: Poesia
Publicação: Class, 2020

LEIA O ENSAIO
Língua e estética em Ininterruptos,
choremos ruas dentro dos ossos
, de Delalves Costa
Alexandra Vieira de Almeida

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A LUZ NOS OLHOS DA POESIA INAUGURAL
DE DELALVES COSTA

O Ininterruptos, choremos ruas dentro dos ossos, novo livro de Delalves Costa, pela editora Bestiário, do lúcido escritor-editor Roberto Schmitt-Prym, não é apenas a surpresa da descoberta de um poeta, que se constata pelos primeiros versos, mas também é o reconhecimento de sua maturidade, com original visão do mundo.
Caracteriza-se por um jogo de contraposições entre o poético e o prosaico, o uso de vocábulos que normalmente pesam e no seu caso, consegue tornar leves e voantes no poema. Como “falésia”, “fórceps”, “homemporâneo” ou “ethos”, mas pelo mover mágico, catalizador, incrivelmente funcionam no seu texto, que é à queima-roupa entre a lógica e o caos, ou o caos que se funde a uma lógica inaugural das coisas, sob “o sapato dos dias”.
É permeado pela sombra concretista, com a diferença fundamental: as palavras estão vivas no espaço branco, respirantes como cacto no deserto. Por se casarem estranhamente e com ardor de pênseis metáforas.
Há um relato que parece cego de signos, mas é um cego que vê “primaveras no abismo”. E é o leitor, sim, “o passarinho alvejado por um estilingue.” Palavras gerando palavras, em combinação de furor e mistério.
O que nos lembra o francês René Char. E o texto se encanta na combustão, empenha-se na invenção da realidade. E com alegria, o Rio Grande do Sul ganha mais um criador de força, com sotaque próprio, peculiar. E muito honrará sua já imperiosa literatura.

Rio de Janeiro, “Morada do vento”, 9 de novembro de 2020
Carlos Nejar
Escritor da Academia Brasileira de Letras